É incrível a facilidade com que muitos cristãos se deleitam com produtos da cultura mundana, sem se dar conta do risco a que se expõem. Não são apenas os alimentos físicos que podem conter impurezas ou substâncias nocivas à saúde.
A cultura de massa, através dos meios de comunicação e da arte, produz diariamente uma avalanche de produtos destinados ao consumo popular, e todos eles possuem um conteúdo ideológico, seja ele religioso ou filosófico, político ou econômico. Estes conteúdos são como alimentos mentais e podem ser saudáveis ou não, para a saúde espiritual.
O conteúdo destes produtos culturais pode estar implícito ou explícito e é tanto mais perigoso quanto menos explícito for. A maioria das pessoas acredita, inclusive cristãos, que é possível separar o conteúdo ideológico destes produtos de sua forma exterior, sem prejuízo para a mente ou o espírito. Segundo esta crença, seria possível assim a um cristão praticar Ioga ou Tai-chi-chuan; utilizar os preceitos do Feng-shui na vida diária; assim como assistir O Senhor dos Anéis e Matrix, ou ler Harry Potter ou Crepúsculo, sem se deixar contaminar por nenhuma ideia ou filosofia em que essas práticas ou obras artísticas possam estar baseadas.
Não digo que isto não seja possível a um cristão maduro, com senso crítico apurado, bom nível cultural e bom conhecimento bíblico. Entretanto, a maioria dos cristãos não se enquadra neste perfil e portanto, sem se dar conta, o indivíduo assimila de forma inconsciente muito do conteúdo destes produtos; o que pode trazer como resultado futuro uma formação espiritual confusa e inconsistente, que é na verdade o resultado desta promiscuidade cultural a que se expôs.
Em certos casos, a separação entre a forma e o conteúdo é impossível até mesmo para um cristão maduro e atento, como no caso das práticas orientais da Ioga, de algumas lutas marciais, do Feng-shui e outras, cujo conteúdo é indissociável da sua prática exterior.
Não me espantei portanto, ao ouvir de uma irmã em minha igreja copiosos elogios à obra A Cabana, de William P. Young que ela acabara de ler e recomendava às suas amigas. Trata-se de uma obra de ficção de bom nível de qualidade literária, com fundamento aparentemente cristão, e que já chegou a ser comparada a clássicos da literatura cristã como O Peregrino de John Bunyan. A obra já vendeu mais de um milhão de exemplares, tendo recebido inúmeros elogios da crítica especializada e deve ser provavelmente levada para o cinema. Young se sentiu frustrado com o que aprendeu em seu seminário teológico, e resolveu criar sua própria teologia, a partir de uma “conversa” que teve com Deus e de outras conversas com seus familiares e amigos.
Qual a razão de tamanha aceitação desta obra? Além de seu bem elaborado conteúdo literário, A Cabana chama a atenção por tratar de um tema bastante comum, mas que poucas pessoas, inclusive cristãos, parece compreender satisfatoriamente, que é a questão da relação entre Deus e o mal existente no mundo. Muitos se recusam a crer na existência de Deus e muitos cristãos sentem sua fé se abalar, após passarem por tragédias pessoais dolorosas; como a perda de um ente querido, como é o caso do episódio central desta obra. Young usa este tema como pano de fundo para expor uma teologia que em momento algum é explicita, mas que contraria em vários aspectos os fundamentos básicos do cristianismo. Adepto do chamado Universalismo Cristão, doutrina professada pela igreja Unitariana-Universalista, Young apresenta a todos um Deus que nada mais é que fruto de um romantismo espiritual desbragado. O Deus de Young pouco ou nada tem a ver com o verdadeiro Deus bíblico, sendo concebido como um ser permissivo, totalmente destituído de qualquer senso de justiça, movido por um amor absoluto. Um Deus que reconhece a todos os homens como seus verdadeiros filhos, que não gosta da igreja nem da Bíblia e que receberá a todos no céu independentemente de sua conduta ou da sua fé.
Deus declarou por meio de Oséias que "o meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento." Este conhecimento a que Deus se referia não era o conhecimento científico, mas o conhecimento da sua lei. Ao desprezar a verdade, o cristão despreza o próprio Deus e assim pois condena a si mesmo, pois conforme diz ainda o Senhor pela boca de Oséias, "visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos."
Relaciono a seguir alguns dos diálogos em A Cabana que contradizem frontalmente a Palavra de Deus:
1) Deus Pai foi crucificado com Jesus. (pg. 53-54).
- “Papai não respondeu, apenas olhou para as mãos dos dois. O olhar de Mack seguiu o dela, e pela primeira vez ele notou as cicatrizes nos punhos da negra, como as que agora presumia que Jesus também tinha nos dele.
- “Jamais pense que o que meu filho optou por fazer não nos custou caro. O amor sempre deixa uma marca significativa - ela declarou, baixinho e gentilmente. - Nós estávamos lá, juntos.
Mack ficou surpreso.
- “Na cruz?”
A manifestação de Deus através dos personagens Papai (o Pai); Jesus (o Filho) e Sarayu (o Espírito Santo) revela uma noção modalista da Trindade cristã. O modalismo (ou sabelianismo), é uma antiga heresia que a igreja combateu no século três. Basicamente, esta ideia confunde as três pessoas da Trindade em uma só pessoa que age em modos diferentes em diferentes tempos. Algumas vezes Ele age como o Pai, às vezes o Filho, e às vezes como o Espírito Santo.
Embora Young tente demonstrar, através de seus personagens, que compartilha a mesma visão ortodoxa da trindade cristã “— Não somos três deuses e não estamos falando de um deus com três atitudes, como um homem que é marido, pai e trabalhador. Sou um só Deus e sou três pessoas, e cada uma das três é total e inteiramente o um.” (p.100); o que sua representação da trindade denota na verdade é que a unidade de Deus em sua obra não provém de uma mesma essência ou natureza, como afirma a concepção ortodoxa cristã, mas de uma união social ou de um relacionamento de três pessoas separadas. A Trindade divina não é composta por três pessoas separadas, mas por três pessoas distintas, que compartilham a mesma natureza divina, como os três vértices de um triângulo.
Além disso, ao subverter o caráter masculino de Deus Pai, quando o representa através de uma mulher (Young deixa claro em sua obra que prefere a autoridade feminina à masculina), ele está na verdade não protestando contra um suposto ranço histórico de autoritarismo machista, mas subvertendo mais um princípio bíblico. O principio da primordialidade e da soberania divinas é expresso na realidade física através do principio da masculinidade.
Ao concluir a Criação, Deus criou o ser humano e deu a ele prevalência e domínio sobre todo o restante da criação, através da Adão (Gênesis 2:15). A sexualidade de Adão foi assim uma manifestação biológica de um princípio espiritual, cujos atributos permaneceram inalterados mesmo após a criação de Eva, que foi criada de forma a complementar a sexualidade humana (Gênesis 2:18).
2) Existe em A Cabana uma subjugação da justiça de Deus ao seu amor – um princípio central ao Universalismo.
O credo universalista de 1899 afirmava que “existe um Deus cuja natureza é o amor”. Young diz que Deus “não pode agir independentemente do amor” (p. 102), e que “Deus tem sempre o propósito de expressar Seu amor em tudo o que faz” (p. 191). O credo de 1878 afirma que o atributo da justiça de Deus “nasce do amor e é limitado pelo amor”. Young afirma que Deus escolheu “o caminho da cruz onde a misericórdia triunfa sobre a justiça por causa do amor”, e que esta maneira é melhor do que se Deus tivesse que exercer justiça (pp. 164-65).
Na verdade, Deus sempre exerce plenamente o seu amor, mas também exerce plenamente a sua justiça. O sacrifício de Cristo na cruz não foi uma vitória do amor sobre a justiça. Conforme Romanos 5:8-9; através de Jesus, Deus revelou ao mundo o seu amor; mas cumpriu através de sua morte o seu juízo sobre o pecado, pois pelo seu sangue fomos justificados.
3) Não existe punição eterna para o pecado. O credo de 1899 novamente afirma que Deus “finalmente restaurará toda a família humana à santidade e à alegria”. Semelhantemente, Young nega que Deus “derrame ira e lance as pessoas” no inferno. Deus não pune por causa do pecado; é a alegria dele “curar o pecado” (p. 120). Papai “redime” o julgamento final (p. 127). Deus não “condenará a maioria a uma eternidade de tormento, distante de Sua presença e separada de Seu amor” (p. 162).
Tomemos a seguinte parábola: Um jovem tem uma forte desavença com o pai, por se recusar a obedecê-lo. O pai deste jovem não tem outra alternativa a não ser expulsá-lo de casa. O jovem rouba todo o dinheiro que ele tem guardado e foge de casa para um país distante. Seu pai no entanto decide perdoá-lo e envia um advogado para encontrá-lo, pois sabe que o país para onde ele fugiu está em guerra e o seu filho corre grande perigo. Ao encontrar o fugitivo, o advogado lhe diz que o seu pai o perdoou e que está disposto a aceitá-lo de volta. Entretanto, o jovem diz ao advogado que não acredita que o seu pai realmente o perdoou e que portanto não voltará para casa. O advogado comunica então este fato ao pai do jovem o que ouviu dele, mas ele ordena ao advogado que volte a procurar o jovem. Neste segundo encontro, o jovem afirma, numa explosão de raiva, que não precisa da piedade de seu pai. Dias depois, o jovem é capturado por uma das facções em luta naquele país e feito prisioneiro, passando o resto de seus dias em cativeiro.
Esta história, bastante simples, ilustra bem entretanto o princípio cristão da salvação espiritual. Creio que é bastante fácil nesta história identificar o pai como sendo Deus, o filho desobediente como sendo o homem e o advogado como sendo o Espírito Santo, enviado por Deus ao mundo para convencer o homem do pecado. Neste caso, como podia este pai salvar o seu filho, se ele se recusar a crer em seu perdão ou se ele recusa até mesmo a misericórdia do seu pai? Quem condena a quem a uma vida de tormentos senão o próprio filho, ao recusar a mão que seu pai amorosamente lhe estende? Deus deseja realmente resgatar o homem da sua própria condenação, mas não pode obrigá-lo a aceitar a sua salvação.
4) Há uma representação incompleta da enormidade do pecado e do mal. Satanás, como o grande enganador e instigador da tentação ao pecado, deixa de ser mencionado na discussão de Young sobre a queda (pp. 134-137).
“Mas — continuou Mack, insatisfeito — então por que tantas coisas 'boas' ficaram 'ruins'?
“Agora Sarayu parou antes de responder.
“Vocês, humanos, são verdadeiramente cegos em relação ao seu lugar na Criação. Escolheram o caminho devastado da independência e não compreendem que estão arrastando toda a Criação com vocês.”
5) Existe um erro grave na maneira como Young retrata a Trindade. Ele afirma que toda a Trindade encarnou como o Filho de Deus, e que a Trindade toda foi crucificada (p. 99). Ambos, Jesus e Papai (Deus) levam as marcas da crucificação em suas mãos (contrariamente a Isaías 53.4-10).
O erro de Young leva, como já foi dito, ao modalismo, ou seja, que Deus é único e às vezes assume as diferentes modalidades de Pai, Filho e Espírito Santo, uma heresia condenada pela igreja primitiva. Como se não bastasse, sugere uma concepção panteísta de Deus (p.112):
“Deus, que é a base de todo o ser, mora dentro, em volta e através de todas as coisas, e emerge em última instância como o real.”
E afirma ainda que Jesus vive fisicamente no mundo (p.99):
“Ainda que por natureza Jesus seja totalmente Deus, ele é totalmente humano e vive como tal.Ainda que jamais tenha perdido sua capacidade inata de voar, ele opta, momento a momento, por ficar no chão.”
A Bíblia afirma que Jesus ressuscitou e subiu aos céus (Lucas 24:51; Atos 1:9), onde está assentado à direita do Pai (Mateus 26:64). Quem está no mundo é o Espírito de Deus enviado por Jesus para nos consolar (João 14:16-18) e através dele Jesus está espiritualmente entre nós.
6) A reconciliação é efetiva para todos sem necessidade de exercerem a fé. Papai afirma que ele está reconciliado com o mundo todo, não apenas com aqueles que creem (p. 192). Os credos do Universalismo, tanto o de 1878 quanto o de 1899, nunca mencionaram a necessidade da fé ou do arrependimento como condição para a salvação.
- “Em Jesus eu perdoei todos os humanos por seus pecados contra mim, mas só alguns escolheram relacionar-se comigo (...) Quando você perdoa alguém, certamente liberta essa pessoa do julgamento, mas, se não houver uma verdadeira mudança, não pode ser estabelecido nenhum relacionamento verdadeiro”. (página 135).
Na verdade, a reconciliação entre o homem e Deus é realmente uma via de mão dupla, como afirma Young, e por isso mesmo, requer antes de tudo o arrependimento do homem, que é a manifestação de sua decisão de conversão de vida (Lucas 13:3; 2Pedro 3:9). Jesus afirma claramente que o perdão requer o arrependimento: “se teu irmão pecar contra ti, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe.” (Lucas 17:3) No início de seu ministério, Pedro exortava: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados” (Atos 2:38); e também “arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados” (Atos 3:19). Se não há conversão de vida, não apenas “não pode ser estabelecido nenhum relacionamento verdadeiro” como diz Young. Mais que isto, não pode haver salvação.
O evangelho de João afirma em 3:16 que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” Paulo também afirma em Romanos 5:1 que “tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”.
7) Não existe um julgamento futuro. Deus nunca imporá Sua vontade sobre as pessoas, mesmo em Sua capacidade de julgar, pois isso seria contrário ao amor (p. 145). Deus se submete aos humanos e os humanos se submetem a Deus em um “círculo de relacionamentos”.
Moisés afirma em Gênesis: “Não agirá com justiça o juiz de toda a terra? (18:25) ” O autor de Hebreus fala de “Deus, juiz de todos os homens” (12:23) Deus é o juiz supremo de sua criação e julgará a cada um conforme as suas obras (Romanos 2:6), pois ele não pode agir fora de sua justiça. Se Deus não discernisse o bem e o mal, não seria perfeito e sua criação seria também imperfeita. Mas quando Deus conclui a obra da criação e a contempla, vê que tudo “era muito bom” (Gênesis 1:31).É Paulo que afirma ainda:
“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;
Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:23-26)
8) Todos são igualmente filhos de Deus e igualmente amados por ele (pp. 155-56). Numa futura revolução de “amor e bondade”, todas as pessoas, por causa do amor, confessarão a Jesus como Senhor (p. 248):
"— Os que me amam estão em todos os sistemas que existem. São budistas ou mórmons, batistas ou muçulmanos, democratas, republicanos e muitos que não votam nem fazem parte de qualquer instituição religiosa. Tenho seguidores que foram assassinos e muitos que eram hipócritas. Há banqueiros, jogadores, americanos e iraquianos, judeus e palestinos.."
A salvação é oferecida por Deus a todos os homens, sem acepção de pessoas. Entretanto, Young não deixa claro em sua obra que existe apenas um caminho que conduz a esta salvação, que é Cristo, segundo as suas próprias palavras: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”(João 14:6).
9) A instituição da Igreja é rejeitada como sendo perniciosa. Jesus afirma que Ele “nunca criou e nunca criará” instituições (p. 178).
A igreja de Cristo, enquanto entidade espiritual, ou o corpo de Cristo no mundo é, na prática, inseparável da instituição humana da igreja. A igreja de Cristo no mundo não está imune às fraquezas e vicissitudes humanas, conforme demonstra a sua história, mas como afirmou Jesus, as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Apesar de existirem várias instituições cristãs que não são dignas de serem chamadas de cristãs, Deus realiza eficazmente a sua obra através de sua verdadeira igreja no mundo; aquela que apesar de todas as perseguições e influências nefastas humanas, permanece fiel à sua missão original e não perdeu a sua identidade.
Paulo afirmou acerca da igreja:
“E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Efésios 4:11-12)
O autor de Hebreus também admoestou a comunidade cristã acerca da igreja:
“Consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns.” (Hebreus 10:24-25)
10) Estruturas hierárquicas; estejam na igreja ou no governo, são ruins. (p. 122):
— “Os humanos estão tão perdidos e estragados que para vocês é quase incompreensível que as pessoas possam trabalhar ou viver juntas sem que alguém esteja no comando.
— “Mas qualquer instituição humana, desde as políticas até as empresariais, até mesmo o casamento, é governada por esse tipo de pensamento. É a trama do nosso tecido social — declarou Mack.
— “Que desperdício! — disse Papai, pegando o prato vazio e indo para a cozinha.
— “Esse é um dos motivos pelos quais é tão difícil para vocês experimentar o verdadeiro relacionamento — acrescentou Jesus. — Assim que montam uma hierarquia, vocês precisam de regras para protegê-la e administrá-la, e então precisam de leis e da aplicação das leis, e acabam criando algum tipo de cadeia de comando que destrói o relacionamento, em vez de promovê-lo.”
Esta posição subverte novamente o conceito da trindade cristã, segundo o qual existe uma hierarquia inerente, pela qual o Pai exerce sua vontade soberana e o Filho e o Espírito obedecem ao Pai (Mateus 26:39; João 14:16). Os apóstolos também nos ensinam que devemos sujeitar-nos a toda autoridade instituída (1Pedro 2:13-14;18), seja ela constituída por governantes, patrões ou mesmo no lar, os filhos aos pais e a esposa a seu marido (1Pedro 3:1; Colossenses 3:18-22). Mesmo do ponto de vista humano, seria impossível conceber a sociedade sem alguma forma de organização hierárquica ou institucional.
11) A Cabana subverte também o papel básico da Bíblia, para “ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2Timóteo 3:16):
— “Mackenzie! — Seu tom era de censura, as palavras voando com afeto. — A Bíblia não lhe diz para seguir regras. Ela é uma imagem de Jesus. Ainda que as palavras possam lhe dizer como Deus é e o que Ele pode querer de você, é impossível fazer isso sozinho. A vida está Nele e em mais ninguém. Minha nossa, será possível que você se ache capaz de viver a retidão de Deus sozinho?
— “Bom, acho que sim, mais ou menos... — disse ele sem graça. — Mas você tem de admitir que as regras e os princípios são mais simples do que os relacionamentos.
“É verdade que os relacionamentos são muito mais complicados do que as regras, mas as regras nunca vão lhe dar as respostas para as questões profundas do coração. E nunca irão amar você.”
Embora seja verdade que a Bíblia não se reduz a um punhado de regras ou preceitos, é necessário sabedoria para notar que é unicamente através dos princípios espirituais que ela ensina que somos edificados para que possamos estabelecer um relacionamento real com Deus. Isto não quer dizer que Deus não possa falar diretamente ao nosso coração por meio do seu Espírito, mas quando o faz, ele reitera sempre aqueles princípios fundamentais que nos ensinou através de sua Palavra. Ou, nas palavras de Paulo:
“Porquanto, tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que, pela constância e pela consolação provenientes das Escrituras, tenhamos esperança.” (Romanos 15:4)
Os princípios bíblicos são eternos e abrangentes, transmitem a Verdade, revelam a natureza de Deus e orientam quanto ao verdadeiro sentido da vida. A Bíblia não é uma obra construída apenas de palavras ou narrativas; mas possui uma profundidade que vai muito além do aspecto literário.
A Bíblia não é porém um livro mágico ou milagroso, cuja posse ou leitura por si só possua algum poder sobrenatural. Ela aponta, do início ao fim, para o Cristo Jesus e sua missão redentora e reveladora de Deus e da eternidade da vida espiritual, demonstrada por sua ressurreição. Foi para ele que ela foi escrita, e é somente quando encontramos o Senhor Jesus através da Bíblia, é que podemos ser espiritualmente transformados e receber a herança da vida eterna.
William Young trocou a igreja e a Bíblia que está em seu altar por uma cabana onde há três mestres espirituais que ensinam o seu próprio caminho para Deus. Na igreja de Cristo sabemos que encontraremos realmente a Deus, mas na cabana de Young há apenas um pouco da vã e presunçosa sabedoria humana.