Vivemos um momento de forte tendência ao que se poderia chamar “espiritualidade avulsa”. Isto se caracteriza pela crescente busca das pessoas por caminhos próprios de busca de crescimento espiritual, desengajados de quaisquer instituições ou seitas.
Isto se deve basicamente a dois fatores. O primeiro deles, o crescente materialismo e racionalismo da sociedade moderna, que tem procurado relativizar toda forma de doutrina espiritual, tornando legitima toda forma de religiosidade, tomando como justificativa a diversidade cultural da humanidade e finalmente o empenho em desacreditar a Bíblia como registro histórico.
O segundo fator é a meu ver o mais grave, pois indica um imenso descrédito nas instituições e lideranças religiosas e espiritualistas, devido a denúncias cada vez mais freqüentes de improbidade, vícios e até mesmo comportamentos pouco éticos, quando não psicóticos, de alguns desses líderes.
A sociedade, diante da falta de critérios seguros para distinguir instituições e lideranças sérias daquelas falsas e degeneradas, reúne em uma mesma categoria todas elas, misturando assim o joio e o trigo.
A maioria das religiões e seitas são acusadas de utilizar técnicas de manipulação psicológica com o fim de obter o domínio sobre os seus seguidores, para em seguida explora-los com objetivos escusos, a maioria deles de natureza financeira ou sexual, sem mencionar os objetivos psicóticos, idealizados por mentes doentias.
Estas técnicas realmente existem e consistem basicamente em:
· Criar uma forte dependência do seguidor à instituição ou comunidade;
· Incutir um sentimento de separação entre o seguidor e a sociedade;
· Reprimir o senso crítico do seguidor de forma a evitar questionamentos importunos;
· Habituar o seguidor a rituais, clichês e crenças;
· Restringir o acesso a informações sobre a instituição e seus líderes;
· Policiar através dos membros mais antigos os neófitos;
· Expor de forma intensiva o seguidor a atividades de propaganda interna sobre a seita ou doutrina;
· Exigir subordinação incondicional e cada vez mais ampla do seguidor ao líder ou líderes da comunidade.
Apesar do fato inegável de existirem e proliferarem no mundo inteiro seitas místicas e até mesmo instituições religiosas tradicionais que degeneraram para esta forma espúria de espiritualidade, é preciso notar que a saída da “espiritualidade avulsa” é altamente perigosa, porquê ninguém pode trilhar sozinho o caminho que leva a Deus.
Por mais que os racionalistas acusem a religião de promover o alheamento do homem de seu ambiente e de seus problemas, em uma espécie de escapismo, é forçoso reconhecer que existe uma dimensão existencial humana que não pode ser conhecida racionalmente.
Negar a existência desta dimensão é reprimir o que de mais sublime existe no ser humano, aquilo que justifica a sua própria existência e que dá sentido à vida.
A razão é um atributo altamente valioso para a vida humana, mas ela não pode nos conduzir em nossa necessidade escatológica de transcendência da matéria.
Tampouco a emoção é um guia seguro, pois está atrelada a nossa condição psicológica, aos nossos instintos, temores e expectativas pessoais.
Mesmo assim, devemos sim cultivar a vida espiritual, não significando com isto que se deva isolar-se do mundo ou buscar a auto-flagelação como forma de alcançar a libertação da matéria e a realização espiritual.
Esta busca é a meta mais nobre que um homem pode estabelecer para si mesmo, pois condiz com a sua natureza original mais íntima, a natureza através da qual veio a existir como ser consciente.
Mas se a razão e nem a emoção não podem nos guiar nessa busca, como empreende-la?
Se não há como confiar plenamente em instituições ou líderes religiosos, como eleger um mestre para nos guiar?
O Verdadeiro Mestre