Não existem igrejas perfeitas, pelos simples fato de que elas são dirigidas por homens, e homens, por mais santificada que seja a sua vida, são passíveis de falhas. No livro de Apocalipse, podemos ver, através das mensagens que Cristo envia às sete igrejas então existentes na Ásia, que mesmo entre estas, tão próximas do verdadeiro cristianismo em termos históricos, apenas duas não sofreram recriminações e admoestações.

O maior erro que um cristão pode cometer é confiar incondicionalmente nos líderes de sua igreja, sejam eles quem forem. Apenas Deus é infalível e absolutamente fiel. Os líderes cristãos são autoridades como quaisquer outras, e como tal devem ser respeitados e obedecidos. Apenas o campo de ação das lideranças cristãs é incomparavelmente superior ao campo de ação das autoridades seculares, pois trata do reino de Deus, e esta é a única diferença entre essas autoridades. Entretanto, esta diferença é mais um motivo para que as lideranças cristãs tenham uma postura de servos, e não de ídolos.

Cedo se decepcionam aqueles que idolatram este ou aquele líder cristão, por maior que seja a unção e o poder espiritual por ele demonstrados.

Esta na verdade, é a primeira característica pela qual se pode reconhecer um verdadeiro líder cristão: a humildade, a sobriedade e a disponibilidade para servir.

Outras características que distinguem a verdadeira igreja de Cristo neste mundo, na aparente tênue linha divisória que as separa das falsas igrejas são:

  ·      Não procurar tornar os seus membros dependentes da igreja, como instituição ou comunidade, mas sim de Deus, embora encorajem a união e a comunhão entre os seus membros, o que é uma característica de todo grupo que tem um objetivo em comum;

  ·      A verdadeira igreja cristã é sim separada do mundo, porquê assim o quer Deus:

  "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus."  (RM 12:1-2)

  No fim desta carta, Paulo volta novamente a este tema, recomendando que:

  “Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícia e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.” (RM 13:13-14)

  O verdadeiro cristão busca sim a santidade, embora saiba que não alcançará a plenitude desta santidade neste mundo, persevera em sua busca, porquê sabe que certamente a alcançará na nova vida que o espera.

Entretanto, a verdadeira igreja cristã não fecha suas portas ao mundo. Todos são benvindos se buscam sinceramente a Deus. Da mesma forma, não repudia ou faz acepção de quem quer que seja, pois Deus odeia o pecado, mas não o pecador.

  ·      Incentivar o estudo e a discussão da Bíblia, através da Escola Dominical e de cursos bíblicos diversos, sem no entanto confiar unicamente na razão como meio de entendimento da vontade de Deus. Como disse o apóstolo, as coisas espirituais se discernem espiritualmente.

  ·      Apesar de toda igreja possuir um rito de celebração do encontro com o Espírito de Deus, de forma alguma a verdadeira igreja cristã incentiva o misticismo, a superstição, o ritualismo e tampouco a idolatria de qualquer espécie. O objetivo é sempre buscar a verdadeira comunhão com Deus, através do louvor, da adoração e da oração;

  ·      Ser transparente com relação à vida pessoal e eclesiástica de seus membros, bem como com relação à instituição, suas receitas e seus gastos, e sobretudo suas atividades em prol da comunidade;

  ·      Não policiar os seus membros, mas de forma alguma tolerar indefinidamente  que faça parte de sua comunidade aqueles que não pautam as suas vidas pela obediência e fidelidade aos princípios cristãos;

  ·      A verdadeira igreja cristã não faz apologia de si mesma, enquanto instituição, ao contrário, procura enfatizar que apenas Cristo salva. Também não enfatiza o crescimento da denominação ou do número de adeptos como meta, pois estas são na verdade conseqüências de um autêntico derramamento do Espírito de Deus através do trabalho da igreja;

  ·      Não exigir jamais subordinação incondicional dos membros aos seus líderes, mas ao contrário, procurar alertar seus seguidores com relação a todos os seus obreiros:

  “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo”

  Mais que isto, a verdadeira igreja de Cristo:

  ·      Não procura infundir o temor ou a culpa no coração de seus seguidores, mas enfatiza que é apenas pelo amor a Deus e ao próximo, e pela fidelidade à palavra de Deus que se pode consolidar a salvação;

  ·      Não enfatiza a prosperidade material como sinal de prosperidade espiritual. Na verdade, não existe nenhuma correlação entre as duas coisas e, usualmente, pessoas materialmente prósperas têm uma vida espiritual pobre.

Entretanto, não há condenação incondicional à riqueza. O que muda é a atitude com relação à riqueza, que é um meio excepcional de fazer o bem e não um fim para quem a possui.

·      Reconhece a Bíblia como o legítimo registro dos ensinamentos de Deus ao homem. Se cremos em Jesus e por conseguinte no que Ele disse, cremos coerentemente na Bíblia, que contém os evangelhos, isto é, a história de sua vida e de seus ensinamentos.

        A Bíblia provou sim ser uma obra inspirada por Deus ao passar por tantas traduções e cópias sem perder seu conteúdo e essência originais.

·      Reconhece Jesus Cristo como único e suficiente Senhor, intercessor e salvador do homem, aquele que, por seu sacrifício sacerdotal definitivo, abriu a porta para nossa redenção e libertação do pecado, para a vitória sobre a morte e sobre o ego:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” JO 3:16

      Jesus, o Cristo, não foi apenas um dos grandes mestres enviados ao mundo. Ele foi o maior deles e o único por meio de quem obtivemos  a imensa graça do acesso à salvação de nossas almas, o único que deu sua própria vida e seu sangue para que tal dádiva fosse possível.

       A esse respeito, disse o Mestre:

       “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” JO 14:6

·      Reconhece ser a fé em Cristo e em seus ensinamentos e na palavra de Deus como um todo, a única forma de viver espiritualmente, segundo os princípios bíblicos e de herdar a nova vida que para nós foi conquistada, através de seu sacrifício e de seu sangue, pois está escrito:

“Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.” RO 1:17

Mas não a fé cega, aprendida, e sim a fé viva, resultante do conhecimento de Deus e de uma vida de real comunhão com Ele.

·      Não prega um caminho fácil para a realização espiritual. Seguir a Cristo requer abnegação, renúncia à maior parte dos prazeres do mundo, a superação do egoísmo e dos vícios, através da entrega total e consciente de sua vontade e do seu próprio ser a Deus, pois está escrito:

“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” MT 7:13

e ainda:

“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” MT 16:24

O caminho do cristão é árduo sim, mas segui-lo é a única via para nos libertarmos da escravidão do pecado e do ego. Além disso, o que aguarda aqueles que perseveram até o fim neste caminho é absolutamente compensador:

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.” AP 2:7

“A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, donde jamais sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu Deus, e também o meu novo nome.” AP 3:12

“Ao que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo no meu trono.”       AP 3:21

Ainda que muitos reconheçam que este é o verdadeiro caminho que conduz a Deus, não são raras as pessoas que se perguntam: Por quê fazer parte de uma igreja? Se o caminho de salvação é individual, por quê não posso percorre-lo sozinho?

A igreja de Cristo existe independentemente da instituição e da organização, pois consiste no conjunto de todos aqueles que o seguem, dispersos ou não.

Cristo disse ao apóstolo Pedro que sobre a pedra da verdade edificaria a sua igreja.

Existem várias razões que justificam a necessidade dos cristãos se congregarem em uma igreja, no sentido de instituição e de organização.

A mais natural delas, é a mesma que justifica a agremiação de pessoas com um objetivo comum. Ora, se por idéias ou motivos banais nos agregamos em organizações, com muito mais propriedade se justifica a organização em torno do ideal cristão.

A segunda razão é que a igreja é uma instituição de educação espiritual, isto é, uma escola onde os que seguem o caminho de Cristo compartilham seu crescimento, expõem suas dúvidas e encontram orientação para a compreensão da palavra de Deus.

A terceira razão é que a igreja, enquanto casa de oração, é um lugar em que a presença de Deus é sobremaneira intensa. A oração é um meio poderoso de nos colocar em comunhão com Deus e ao buscarmos essa comunhão em grupo, estamos criando um vínculo forte e estável com o Espírito de Deus.

  “Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” MT 18:20

  A quarta razão é que a igreja, do grego “ekklesia” ou “chamados para fora”, ou ainda “assembléia” é um local de comunhão espiritual entre as pessoas, de ajuda mútua e de testemunho de uma nova vida.

  Finalmente, uma razão final mas não a última, é o fato de que a reunião dos cristãos em assembléia, no templo da igreja, é uma forma maravilhosa de adorar a Deus através de louvores entoados com um coração pleno de paz e gratidão, pleno de amor ao Criador como retribuição à imensa graça que lhes foi concedida de encontrar o caminho perfeito, o caminho de volta para o Pai.