Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte.

1 Pedro 5:6


Nasci em um lar católico tradicional, onde no entanto o espiritismo ganhou terreno de forma crescente, através de minha mãe e de minha irmã.

Apesar de não haver nunca me adaptado a nenhuma religião, sentia em meu coração, desde a adolescência, uma forte simpatia por Jesus, embora não soubesse a distância que ainda me separava Dele.

A influência negativa do espiritismo trouxe conseqüências bastante deploráveis para a vida espiritual de nossa família, e nos vimos mergulhados em desavenças, desencontros e insucessos. Este clima, aliado à minha curiosidade intelectual, me levaram a enveredar por caminhos espirituais ainda mais tortuosos, através do esoterismo.

Desde minha adolescência sentia que tinha um chamado de Deus para servir a Ele e ao meu semelhante. Entretanto, até a minha juventude, apenas pensava em namorar e me divertir. Um dia tive um sonho que fez com que eu mudasse um pouco o meu comportamento. Em uma cena muito clara, eu estava sentado à mesa de um bar na calçada de uma rua, bebendo com amigos, quando um anjo inteiramente de branco se aproximou e me mostrou, na rua ao lado, uma multidão de pessoas doentes, mendigos e crianças famintas que me fitavam.

Decidi então fazer alguma coisa pelo meu semelhante e me alistei como cooperador voluntário em uma instituição beneficente, onde trabalhei por algum tempo. Conheci também na época uma socióloga que se dedicava a auxiliar comunidades carentes, com quem me associei e trabalhei também por cerca de dois anos.

Tinha dentro de mim um desejo sincero de crescimento espiritual e aproximação de Deus, mas tomei vias que ironicamente me afastavam cada vez mais de Sua verdadeira natureza e essência. Freqüentei, durante três anos, uma escola esotérica, na qual fui iniciado em rituais de magia, com o nobre objetivo de eliminação do ego e da construção de um “corpo espiritual superior”.

Nesta escola, tive contato com toda a literatura existente sobre religiões orientais, teosofia, zen budismo, rosacrucianismo e outras, que me fascinavam e me conduziam por mirabolantes explicações das dimensões espirituais do universo, da criação e do destino do homem e de outros seres.

Entretanto, nenhum destes chamados livros de sabedoria me conduziram a lugar algum, e tampouco me trouxeram esperança ou me aproximaram de Deus. Ao contrário, construía à minha volta muralhas de conhecimento, que me isolavam cada vez mais de meu semelhante, e me mergulhavam em um mundo de profunda introspecção, passividade e egoísmo. Casei-me com uma instrutora de meditação transcendental, o quê me afastou ainda mais do verdadeiro caminho que Deus reservara para minha vida.

Devido à minha personalidade retraída e insegura, porém orgulhosa e egoísta,  tive bastante dificuldade em prosperar em minha vida profissional, e embora tivesse me graduado com sucesso em Engenharia Mecânica, não pude construir uma carreira de bem sucedida. Gozava de um excelente emprego, o qual me proporcionava um nível de vida altamente satisfatório, ocupando uma posição de destaque na empresa em que trabalhava.

Entretanto, não consegui firmar-me nesta posição, e embora houvesse construído uma carreira progressivamente ascendente ao longo de 16 anos, me vi desempregado, aos 39 anos, devido a uma reestruturação administrativa da empresa..

Nesta ocasião, embora buscasse muito a proteção divina, percebi que me afastara de Deus quando cometi meu primeiro ato de adultério, erro que viria ainda a repetir por mais duas vezes

Não consegui deste ano em diante me firmar profissionalmente em nenhum outro emprego, frustrando-me também em uma tentativa de empreender um pequeno negócio. Em minha ânsia de me firmar profissionalmente, buscava recursos espiritualistas os mais diversos, como astrologia, cartomancia, novenas e até mesmo consulta a bruxos.

Minha insegurança e ansiedade em relação ao futuro me levavam sobretudo a consultar com freqüência tarólogas e cartomantes. Embora várias previsões se confirmassem,  isso jamais  contribuiu para me trazer segurança ou paz de espírito.

Um dia Deus me mostrou o absurdo deste hábito, quando, consultando uma cartomante bastante respeitada, saí com grandes esperanças, pois ela me garantira que eu conseguiria um emprego bastante almejado, fornecendo detalhes. Para minha surpresa, nada do quê ela predisse aconteceu.

Em meu orgulho e egocentrismo, não percebia que minha vida estava se degenerando perigosamente, não tinha consciência plena dos erros que cometera e que eu me afastava de minha esposa e meus filhos, mergulhando cada vez mais em minha angústia, não tendo no entanto iniciativa para mudar a situação que eu mesmo criara.

Esta situação atingiu seu ápice com o fim de meu casamento de dez anos, que me lançou em uma terrível depressão e profunda miséria espiritual e emocional. Fui forçado a ir morar com minha mãe e minha irmã, e a vida perdeu para mim todo sentido.


A Primeira Porta


Entretanto, Deus não me abandonara, pois Ele nunca desiste de seus filhos e tinha para mim um plano de vida alternativo, que me conduziria finalmente ao seu encontro e à mudança de rumo de minha vida espiritual, que me conduzia à morte.

Nunca simpatizara com igrejas evangélicas, que via como uma espécie de manifestação mista de ignorância e fanatismo espiritual. Meu tio, vizinho nosso, freqüentava na época uma dessas igrejas, e não cessava de me contar e à minha família as grandes vitórias alcançadas através da igreja e de sua fé em Deus. Ele me convidava vez ou outra a ir com ele até essa igreja, sem nenhum compromisso, apenas para constatar o quê ele dizia.

Por duas ou três vezes eu recusei, não vendo ali nenhuma oportunidade de encontrar a saída que eu tanto buscava para meu desespero. Um dia no entanto, por insistência de minha mãe, que já havia abandonado o espiritismo, resolvi ir com ela à igreja que meu tio freqüentava.

A leitura de um versículo bíblico pelo pastor que presidia o culto nesta minha primeira visita, me sacudiu como uma bomba. Chegando em  casa me apressei a descobrir depois, em 2 Timóteo 1:7 a sua localização:


Senti naquela igreja um forte calor espiritual que me chamou bastante a atenção e me encorajou a voltar. De visitante passei a freqüentador assíduo, entusiasmando-me pelo fervor coletivo e pela beleza do louvor levantado a Deus nos cultos.

Pouco a pouco fui me interessando pela Bíblia, livro que eu considerava já ultrapassado e de difícil compreensão. Os versículos foram abrindo para mim uma nova dimensão e se desdobrando diante de meus olhos com toda a sua riqueza de significado, revelando a mensagem viva de Deus para a minha vida.

Pela primeira vez sentia, naquela igreja, a presença viva de Deus e percebia que Ele falava comigo através de meu coração e não do intelecto. Ali, em meio a toda aquela gente que eu antes desprezava, encontrei a verdadeira comunhão com Deus e pude abrir finalmente meu coração ao Seu santo Espírito.

Comecei a buscar realmente a Deus, com sinceridade e empenho, pois sabia que não buscava um Deus imaginário ou idealizado, mas um Deus cuja existência eu percebia, não apenas naquela igreja, mas dentro de mim.

Um dia finalmente, enquanto louvava a esse Deus verdadeiro, com alegria e entusiasmo, segurando a mão dos irmãos que me ladeavam, senti fortemente a presença de Jesus ao meu lado. Eu não pensava nisto, e essa percepção me apanhou de surpresa, o que me levou a olhar instintivamente em direção a Ele. Não posso descrever os sentimentos que me invadiram nesse momento, nem a alegria que senti, por perceber o intenso sentimento de amor e conforto que emanavam de Sua silenciosa presença.

O Cristo que eu tanto buscara racionalmente e nunca encontrara verdadeiramente, revelou-se então a mim com toda a sua benignidade e magnificência de  forma arrebatadora, simples e direta, quando abri a Ele o meu coração.

A partir deste dia, consagrei a Ele minha vida e fui confrontado então com a clara consciência de todos os meus erros passados. Fui tomado de grande sentimento de remorso, sentimento amargo, mas que aos poucos se transformou em sincero arrependimento, pela compreensão do significado de todas as conseqüências destes erros, em minha própria vida e na vida daqueles quê me cercavam.

Pedi então a Jesus que perdoasse todos esses erros e que salvasse minha alma, pois tinha a firme determinação de recomeçar a minha vida, de nascer de novo, conforme a Sua promessa. A imensa carga de culpa que sentia foi então como quê retirada de meus ombros, quando senti que era perdoado. Acreditei neste perdão, pois Jesus, e somente Ele, conquistou o direito de nos perdoar assim, quando empenhou sua própria vida por nós.

Tentei em vão retomar o meu casamento, mas era tarde demais. Deus me conduziu a partir daí a um deserto de provação espiritual, em quê minha velha estrutura psicológica foi pouco a pouco sendo demolida, enquanto eram lançadas as bases espirituais de um novo homem. Esta foi a primeira porta aberta por Deus em minha vida.


A Segunda Porta


Um dia, durante uma campanha que fazia na Igreja Batista da Lagoinha para encontrar um trabalho, estava bastante gripado e hesitava em ir até a igreja, à noite. Minha irmã era de opinião que eu devia ficar em casa, pois estava com um pouco de febre. Alguma coisa no entanto, me dizia que eu devia ir, e fui.

Durante o culto, naquela noite, enquanto orava com grande ardor, ouvi claramente em meu coração, a seguinte frase: "Eu posso lhe dar muito mais que um trabalho..."

Alguns dias depois, enquanto caminhava pelo centro de BH, resolvi parar em frente ao SINE e ler o quadro de avisos de vagas. Para minha surpresa, deparei com uma vaga para Engenheiro Mecânico no Paraná, sem nenhuma restrição quanto à experiência ou idade.
Resolvi telefonar e falei diretamente com o empresário que havia anunciado a vaga. Ele buscava um responsável técnico para uma obra que estava executando em Betim. Depois de pensar um pouco, decidi não assinar simplesmente a ART referente àquela obra, mas disse a ele que somente poderia fazê-lo caso ele pudesse me admitir como funcionário de sua empresa.

No dia seguinte recebi um novo telefonema daquela empresa, dizendo que havia disponibilidade de uma vaga, e que eu poderia me mudar para o Paraná, se assim o quisesse. Perguntei sobre a necessidade de enviar um currículo, mas o meu empregador disse que não era necessário, naquele momento, e que o examinaria depois.

Considero isto um verdadeiro milagre, pois já há bastante tempo vinha procurando qualquer tipo de trabalho, sem sucesso. Deus abriu para mim a porta não de um trabalho qualquer, mas uma oportunidade de reiniciar minha carreira em minha própria área de formação, sem que tivesse qualquer experiência profissional em mecânica e em uma idade em que o mercado de trabalho fecha as portas para os profissionais especializados.

Mais que isso, eu descobriria mais tarde, esta porta aberta em minha vida revelou um plano alternativo de Deus para minha vida, o caminho para minha  salvação e regeneração espiritual.

Antes de decidir aceitar aquela oferta de emprego, hesitei muito no entanto, pois iria deixar minha irmã sozinha em BH, abandonar meus filhos e viver sozinho, em um lugar totalmente desconhecido. Novamente, busquei a orientação divina e um dia, enquanto ia para a IBL, pensava comigo mesmo que Deus bem poderia usar o pregador para dizer que havia entre os presentes uma pessoa que tinha uma grande dúvida assim e assim e me dar uma orientação.

Ri de mim mesmo, por causa daquele pensamento, que me pareceu totalmente absurdo, embora já houvesse ouvido falar de testemunhos de profecias semelhantes. Qual não foi minha surpresa no entanto, quando, durante o culto, a missionária disse: "Está aqui uma pessoa que tem uma dúvida, se deve viajar ou não para longe, por causa de um compromisso. O Senhor diz a essa pessoa que pode ir tranqüila, pois o seu anjo vai à sua frente."

Durante aquela viagem, rumo a Ponta Grossa, novamente Deus em sua infinita graça me comunicou uma maravilhosa mensagem, enquanto dormia. Em sonho, vi uma linda tabuleta, na qual estavam gravadas, como que em letras de fogo, as seguintes palavras: "Retira a tua força da força do Senhor Jesus". E é isto que precisei fazer, diariamente, desde então.


Um Emprego e uma Cruz


Quando Deus me disse, em Belo Horizonte, antes de vir para o Paraná, que poderia me dar muito mais que um emprego; jamais imaginei que este algo mais seria uma pesada cruz, que carreguei durante todos estes anos. Nesta empresa encontrei desafios profissionais, em um cargo para o qual eu não estava preparado, e tive que aprender a conviver com a precariedade, com a desonestidade, com a imoralidade e com o temperamento de um patrão com quem não tinha absolutamente nada em comum. Mas, como Deus determinou ao seu povo, quando o tirou do Egito, também determinou em minha vida:
   
“E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o Senhor teu Deus tem te conduzido durante estes quarenta anos no deserto, a fim de te humilhar e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos.” Deuteronômio 8:2

O meu trabalho se tornou para mim uma verdadeira prisão, onde foi eliminado todo o meu orgulho e o meu egoísmo; e onde aprendi a confiar em Deus e depender dele todos os dias, para encontrar força, ânimo e capacidade para enfrentar os desafios com os quais diariamente me deparava.
Enquanto carregava esta cruz, fortalecia também a minha fé e conhecia cada vez mais esse Deus de quem eu antes vivia distante e com o qual não tinha realmente uma comunhão.

Em minha solidão entretanto, vivia abatido, angustiado e amargurado, chegando a passar por sérias crises de depressão, das quais me libertei somente pela misericórdia divina. Não tinha ânimo para servir a Deus como desejava e como havia com ele me comprometido. Vivia continuamente estressado, dormia muito pouco, o que me levou sem dúvida a perder boa parte de minha memória.

Tentei por três vezes me dedicar a alguns ministérios na igreja Assembléia de Deus, a qual freqüentei desde que vim para o Paraná, mas por causa da minha fraqueza espiritual, abandonei todos eles. Afastei-me da igreja, durante este tempo, por duas ou três vezes, mas o Senhor não permitiu que eu apostatasse da fé.

“Pois ainda em bem pouco tempo aquele que há de vir virá, e não tardará. Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele.

“Nós, porém, não somos daqueles que recuam para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma.” Hebreus 10:37-39

Isolei-me socialmente em uma espécie de caverna pessoal, não tinha amigos, nem mesmo na igreja, e me sentia inseguro para buscar uma nova companheira e assumir uma nova família. Durante todos estes anos porem, Deus jamais me abandonou, nem deixou de me consolar e fortalecer. Em resposta às minhas súplicas, recebi em outubro de 2000 o batismo no seu santo Espírito, o que sem dúvida me proporcionou a força espiritual que necessitava para continuar lutando.

Perdi a conta de quantos currículos enviei à procura de um novo emprego, de quantas portas bati,em busca de falsas oportunidades de trabalho surgiram, de quantas madrugadas passei orando, clamando e chorando e de quantas tentativas eu fiz de abandonar este emprego. Deus entretanto sempre me tomava carinhosamente pela mão e me ajudava a carregar esta cruz, e respondia aos meus clamores com a promessa de liberdade, que viria em seu devido tempo. Nunca reclamei porém desta cruz a quem quer que fosse, nem mesmo com minha irmã, que veio morar em minha companhia em 2003 e era minha única amiga. Tampouco deixei de dar graças diariamente por cada dia de trabalho que findava e somente aos pés do Senhor eu me permitia derramar a dor que havia em meu coração.

Em 04 de junho de 2004, fiz o seguinte registro em meu diário espiritual:

Continuo orando a Deus para que eu possa encontrar um sentido para minha vida. Hoje, indo para o trabalho, tive a clara sensação de que estava tomando uma direção errada, e que não era para aquele lugar que eu deveria ir.

Perguntava para mim mesmo: Meu Deus, o que é que estou fazendo neste lugar?

Entretanto, Deus sabe com certeza o que ainda estou fazendo ali e porquê preciso ainda estar ali. Mas sei que não é este o plano final de Deus para minha vida. Hoje, senti claramente o que eu gostaria de estar fazendo. Não busco uma vida de regalias, de glória ou riqueza.

Gostaria apenas de ser alguem de quem ninguem lembrasse o nome, que nenhuma atenção chamasse, mas que fosse um vaso transbordante de bênçãos de Deus, e onde quer que pisassem meus pés, eu pudesse levar esperança, cura e libertação.

Gostaria de ser realmente um instrumento nas mãos de Deus, mas sei o quanto estou longe disso, o quanto de amargura, de egoísmo e medo há em meu coração, sei da minha pouca fé, da minha insegurança e ansiedade e o quanto é difícil alguém assim poder ser usado por Deus.

Mas ainda tenho esperança de um dia mudar, de me entregar verdadeiramente nas mãos do Senhor, e poder ser um instrumento de sua graça e de sua misericórdia. Espero um dia deixar de ser o mísero verme que sou e permitir a Deus me regenerar, fazer de mim uma nova criatura, um novo homem. Espero que o meu amor por Deus cresça até sufocar em mim todo egoísmo e toda amargura e toda dor.

Hoje, enquanto voltava do trabalho caminhando por uma estradinha que tomo quando perco o ônibus, passei por uma velhinha, que cantava um corinho de igreja, mas repetia sempre a mesma frase:

"Ah, se você soubesse o quanto Deus te ama ... "

A última vez que Deus me reafirmou que ele atenderia o meu clamor, ele o fez de uma forma tão maravilhosa que encheu de alegria a minha alma e me devolveu a paz. Caminhava pelo centro da cidade, quando me deparei com uma vitrine onde um anúncio que estava ali afixado, trazia o texto de Lucas 18:7:

"E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?"

Os três últimos anos, 2005, 2006 e 2007 foram um tempo de grande angústia, pois quando chegavam ao seu fim, acendia em mim a esperança de que no ano seguinte eu encontraria finalmente a liberdade.

Fiz então em 2008 uma nova aliança com Deus, pela qual eu me comprometi a servi-lo, conforme a sua vontade, se ele abrisse para mim uma nova oportunidade de trabalho, em que eu encontrasse paz e alegria, para que assim eu pudesse me dedicar à sua obra.

Dediquei-me com grande empenho em estudar a Bíblia e a história do cristianismo, e me dispus sinceramente a buscar conhecer a palavra de Deus. Foi na mensagem de Deus que encontrei consolo, conforto espiritual, esperança e orientação para os meus momentos de angústia e de dúvida.

Pude ver claramente as conseqüências de minha rebeldia espiritual. Quando jovem, ao invés de buscar a Deus e me empenhar realmente em conhecê-lo, simplesmente me voltei contra o catolicismo, atentando apenas para os aspectos exteriores da religião e me afastei não só da igreja católica, mas também do cristianismo.

Esta atitude rebelde e imatura me levou sem dúvida a buscar outros caminhos espirituais, no espiritismo e no ocultismo, me desviando assim do caminho da Verdade. Se eu tivesse me convertido verdadeiramente ao cristianismo enquanto ainda jovem, certamente os meus caminhos seriam outros.

Não teria me tornado um adúltero e com isto impedido a bênção de Deus, que iria restaurar minha vida profissional. Talvez nem mesmo houvesse me desviado da minha carreira profissional, fazendo uma escolha errada, pois como cristão não teria tomado esta decisão sem antes consultar a Deus.

Assim eu me encontrava, com mais de cinqüenta anos, sem uma profissão definida, sem um trabalho definido e sem perspectiva de aposentadoria, a não ser por velhice. Por insensatez, deixei de prover durante o tempo em que estive desempregado e trabalhando por conta própria para minha aposentadoria, preferindo gastar com coisas supérfluas.

Dependia diariamente de Deus para sobreviver, pois era apenas por sua misericórdia que eu vivia. Enquanto o cristão fiel precisa apenas da direção e do auxílio de Deus para a sua vida, eu precisava diariamente de um milagre, para que eu não naufragasse. Deus me curou durante este meu exílio espiritual de três enfermidades e preservou a minha saúde em perfeito estado, até o dia de hoje.

Reconheço que o fato de eu não haver sido bem sucedido tanto em minha vida familiar quanto na vida profissional se deveu sobretudo ao fato de eu possuir uma personalidade, frágil, egoísta, orgulhosa e insegura; a falhas de caráter e também a um temperamento introspectivo.

Entretanto, é pelo fato de ser assim que eu deveria ter me conscientizado da necessidade de colocar desde cedo a direção da minha vida nas mãos de Deus, para que o meu coração e a minha vida pudessem ser restaurados, e eu não precisasse sofrer o que sofri. Desde que entreguei meus caminhos ao Senhor pude sentir a mão de Deus transformando o meu caráter, corrigindo as minhas fraquezas e eliminando às minhas limitações, na medida em que eu permitia que ele o fizesse.  O bom cristão é aquele que cuja natureza é como a argila, que se molda com as mãos do oleiro, até se transformar em um vaso perfeito. Mas eu não era um bom cristão e muitas vezes resistia à mão de Deus.


A Terceira Porta


Finalmente, após nove longos anos, Deus abriu para mim uma terceira porta. De forma inesperada, no mês de julho de 2008 recebi um telefonema de um engenheiro de Ponta Grossa, que eu nem mesmo conhecia, oferecendo-me uma oportunidade de trabalho, como responsável técnico de uma empresa em Cascavel.

Estava na ocasião com uma pesada dívida no meu banco, que não sabia como pagar, pois a quitação do empréstimo que havia feito para quitá-la estava gerando uma dívida ainda maior. Fui contratado por esta nova empresa para um trabalho técnico, pelo qual recebi um pagamento antecipado à vista, o que me permitiu quitar toda a minha dívida bancária.

Assinei com esta empresa ainda um contrato de trabalho que me permitia dispor de bastante tempo livre, como eu desejava, para me dedicar à obra de Deus. Deus me abriu assim, aos 55 anos de idade, uma nova porta, através da qual poderei sem dúvida realizar o meu sonho de servir à sua obra e à sua igreja. Permaneci no entanto no antigo emprego, por questões legais, tendo já contudo definido a data do meu desligamento.

Deus me reafirmou entretanto, em 17 de outubro de 2008, como já havia me revelado anteriormente, que o maior empecilho para a minha redenção espiritual e para a manifestação de sua bênção em minha vida era uma divisão que havia se formado em meu coração entre Ele e o mundo. Uma parte de mim amava e buscava a Deus, mas outra parte amava e buscava ainda muitas coisas mundanas.

Deus não pode conduzir uma vida dividida, que não está inteiramente consagrada a Ele. Por isso, me conscientizei de que se eu quisesse ser realmente ser vitorioso, isso somente seria possível por sua graça, pois para o mundo eu já não tinha nenhum valor. Para isso eu precisaria me consagrar inteiramente a Ele.

Sabia também que somente um milagre poderia fazer com que a minha vida tomasse um rumo novo e eu encontrasse o caminho em que eu pudesse verdadeiramente prosperar com a bênção do Senhor.

Para que Deus pudesse realizar em minha vida esse milagre, era fundamental que eu eliminasse em meu coração toda e qualquer divisão, e me apresentasse perante Ele de forma íntegra e em verdadeira santidade. Somente assim poderia vencer, pela fé, meus inimigos materiais e espirituais, e nisto eu sinceramente me empenhei.

Finalmente, em dezembro de 2008, me desliguei definitivamente da empresa em que trabalhava, pois estou absolutamente certo de que se eu me mantiver fiel a Deus, não precisarei pedir de volta este emprego. Procurei a igreja que freqüento atualmente, em meu bairro, e me ofereci para ali servir, exercendo qualquer tarefa que me fosse solicitada. Fui carinhosamente recebido nesta igreja e creio que começo aqui a trilhar o caminho que me foi designado por Deus, desde o ventre de minha mãe.

Julguei então que havia se cumprido integralmente a promessa de Deus para minha vida, mas isto foi apenas o começo. O pastor de minha igreja me lembrou um dia, durante uma conversa, que Deus sempre nos surpreende e que quando ele abençoa, a abundância de sua generosidade sempre supera as nossas maiores expectativas.

Em fevereiro de 2008 prestei um concurso junto ao BNDES, o que me custou grande esforço e muita fé, pois já havia fracassado em outros concursos públicos anteriores. Desta vez porém, consultei antes a Deus e somente me decidi a prestar o concurso depois de sua anuência. Fui aprovado no concurso, em 33º lugar, para um número nominal de 300 vagas de reserva. Com o passar do tempo porém, percebi que as contratações haviam paralisado, sendo que apenas os sete primeiros aprovados foram convocados. Muitas pessoas me desanimaram, afirmando que dificilmente eu seria convocado e me incentivaram a tentar novos concursos. Mantive no entanto firme a minha fé, pois se Deus havia permitido que eu fizesse este concurso, certamente não seria em vão.

Acabei no entanto me esquecendo deste assunto, mas Deus não se esqueceu. No dia 15 de dezembro de 2008 recebi, pelo correio, a convocação para assumir o cargo no BNDES.

Gostaria que este meu testemunho se tornasse útil de alguma forma, para todos aqueles que ainda não conhecem o verdadeiro Deus, que vive entre nós através de seu santo Espírito e que é fiel a todos aqueles que nele confiam e esperam, ainda que vacilem na fé e na fidelidade. É necessário perseverar na fé e crer na promessa de Deus, quaisquer que sejam as circunstâncias. Os caminhos de Deus são perfeitos e como diz o salmista:

“Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.”  Salmos 37:4-5

Caí muitas vezes em minha jornada espiritual, mas sempre encontrei a mão firme de Cristo para me levantar. Sei que ainda tenho um longo caminho a percorrer e muito tenho ainda que lutar contra minhas fraquezas e limitações pessoais, mas posso afirmar hoje cheio de júbilo, fazendo minhas as palavras do apóstolo Paulo:

Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro.

“Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.”  Romanos 8:36-39


A Paz do Senhor


Washington Montez de Noronha