Em uma pesquisa sobre o que acontecia pelo mundo, a jovem Amira entrou em contato com muitas pessoas, algumas delas cristãs de outros países. Dia após dia, ela acessava a internet e se correspondia com cristãos até que decidiu aceitar Jesus. Porém, ser uma jovem solteira e convertida ao cristianismo na Arábia Saudita é motivo de problemas. E Amira sabia disso. "Quando as portas do mundo se abriram para mim por meio da internet, minha vida mudou e a relação com minha família ficou em risco", disse ela.
Após orar com alguns amigos, ela decidiu sair do país. Mas como? As mulheres só podem partir acompanhadas por um homem, de preferência, seu marido. A melhor solução seria casar-se com um ex-muçulmano, mas seria muito difícil encontrar um na Arábia Saudita. Outra saída seria ir para o Ocidente estudar, mas ela não teria dinheiro e seus pais certamente não pagariam porque queriam que ela se casasse com um muçulmano devoto. "Para mim, a solução é fugir ou morrer, não vejo outra saída. Quero servir ao Senhor Jesus, mas aqui é muito difícil," diz Amira.
Infelizmente, essa é uma triste verdade: Fatima AI-Mutairi, outra jovem saudita de apenas 26 anos, foi morta pelo próprio irmão quando ele soube de sua conversão.
A situação para os ex-muçulmanos convertidos ao cristianismo é muito difícil na Arábia Saudita, e para as mulheres é ainda pior. Mas, graças à ação do Espírito
Santo, muitos se convertem ao Senhor por meio de programas via satélite e intemet.
Segundo o livro A fé que Persevera, não é permitido culto, a não ser islâmico. Os cristãos não podem construir igrejas, usar cruzes ou sequer trocar cartões de natal. E para piorar, a Arábia Saudita é a raiz mestra da intolerância muçulmana.
Por isso, os cristãos necessitam de nossas orações, de comunhão com outros cristãos, encorajamento e proteção do Senhor.
História de esperança
Ainda que algumas histórias nos países muçulmanos sejam extremas como foi a da jovem Fátima, existem muitas outras de perseverança, esperança e fé. O casal iraniano Tina Rad e Makan Arya se batizou em julho passado no lraque, país onde vivem atualmente.
Eles receberam a visita da Portas Abertas no dia marcado para o batismo. "Esta manhã, era como se Deus dissesse: 'Acordem, este é um dia muito especial' . E realmente é! Estamos muito felizes por sermos batizados hoje", compartilhou Tina.
Após a cerimônia, eles disseram: "Estamos muito orgulhosos de fazer parte dessa família abençoada. Agora somos realmente cristãos e ninguém pode isso de nós. Não temos mais medo de dizer isso em alta voz. Foi um batismo lindo, louvado seja o Senhor!" !
Tina prosseguiu agradecendo: "Estamos mui", to encorajados pelas cartas que recebemos da Porta Abertas. Quando tivermos nossa casa, queremos faz
um quarto de oração e pendurá-Ias lá. É animador saber que tantas pessoas estão orando por nós! Por favor, continue orando para que possamos ficar neste país!".
Conversão e fuga
Makan e Tina eram muçulmanos. Tina se converteu ao ler a Bíblia que ganhou de uma amiga. No início, ela resistiu em aceitar o presente. Com o tempo, começou a ler. Então, Jesus apareceu a ela em um sonho e lhe disse para ir a uma determinada igreja. Ela foi, mas o local estava fechado. Depois, uma mulher apareceu e disse que Deus a havia mandando ir até a igreja, mas que não sabia o motivo. Quando viu Tina, compreendeu. Elas conversaram e a mulher a ajudou a encontrar outros cristãos com quem pudesse ter comunhão. Assim, Tina aceitou Jesus.
No começo, ela escondeu tudo de seu marido, pois sabia que enfrentaria problemas. Com o passar do tempo, ele notou que Tina estava diferente, era uma mulher mais carinhosa e cuidadosa. Makan perguntou o que havia acontecido e, então, ela compartilhou com ele sobre Jesus. Logo Makan se converteu. Os pais de ambos eram muçulmanos e o casal escondeu sua conversão, sabendo o que aconteceria se eles descobrissem. Um dia, seus parentes encontraram uma Bíblia na casa deles e reportaram o caso à polícia.
Em junho de 2008, após três meses de conversão, eles ficaram sob custódia por quatro dias, quando sofreram tortura física e mental. Tina foi tão agredida que mal podia andar. As autoridades iranianas também os obrigaram a deixar sua filha de apenas quatro anos em casa, sozinha e ameaçaram colocá-Ia em uma instituição. O casal foi liberto após pagar fiança de 50 mil dólares e assinar uma declaração de que não voltariam mais à sua igreja doméstica e nem teriam contato com cristãos.
Eles ficaram escondidos durante um ano. Tina e a filha ficavam em casa o dia todo e somente Makan saía para trabalhar. Depois disso, conseguiram fugir porque suas vidas corriam perigo no país.
A família foi para o Iraque e Deus os protegeu durante toda a viagem. Os primeiros dias foram desgastantes, mas agora estão felizes e veem a mão do Senhor agindo em seu favor. Atualmente, o casal participa de um processo de asilo para refugiados. Intercedamos por esses irmãos para que continuem no Iraque, onde a esperança surgiu para eles. Caso voltem para seu país, eles podem ser mortos. Eles precisam de nossa intercessão para que sejam protegidos pelo Senhor.
Família de intercessão
O mundo se interessa pela situação do chamado mundo muçulmano pelos mais variados motivos, mas nós, como Corpo de Cristo, devemos nos preocupar e lembrar que temos irmãos nesses países e que eles precisam muito de nós. Eles precisam saber que sua família cristã intercede por eles e quer vê-los fortalecidos.
Histórias como as das jovens Amira e Fatima e do casal Tina e Makan fazem parte do dia-a-dia dos cristãos da Igreja Perseguida. Essas e muitas outras que não são veiculadas pela mídia em geral refletem a ousadia e a fé dos nossos irmãos que pagam um alto preço por honrar a Deus e levar sua verdade para todos aqueles que não conhecem a Cristo.
Que o versículo relatado em Efésios 6.13 seja uma realidade na vida desses queridos e fieis irmãos: "Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecerem inabaláveis, depois de terem feito tudo". Eles têm resistido à intolerância e à falta de conhecimento de milhares de pessoas sobre a situação em que vivem por amor ao Senhor. Que em nossas orações nos lembremos desses irmãos, anônimos para muitos, mas a quem Deus conhece bem pelo nome.
Compilado da Revista Portas Abertas - novembro de 2009