Do lado de fora, o nascer do sol iluminou exuberantes e enevoados caminhos de montanha, levando para as aldeias à espera do Evangelho. No interior, a luz da manhã revelou os corpos ensangüentados  de mais vítimas de prisioneiros revoltosos. Estes dois mundos coexistiam, de cada lado de uma porta azul brilhante.  O missionário da Gospel for Asia, Manja Tamang, viveu em ambos. Falsamente acusado, ele foi levado de seu campo de missão da montanha para o pesadelo de cumprir uma pena de nove anos. Sua vida atrás da porta azul da prisão hoje é passado. Mas o impacto da obra de Manja em prisões do Nepal não vai acabar tão cedo. >> 

Acusado e Preso

Manja estava com seus amigos em 30 de março de 2000, quando descobriu um cadáver e relatou à polícia local. O homem assassinado era um estrangeiro, por isso as autoridades estavam ansiosas para anunciar que o assassino estava em custódia. Pelo fato de Manja haver encontrado o corpo e porque as pessoas suspeitavam de suas atividades com cristão , ele era o alvo mais fácil. 

Nas semanas seguintes, ele foi foi crivado com a ordem de detenção, falsa acusação, tortura, traição e um veredito de culpa. De repente, Manja teve de encarar uma sentença de 20 anos . Ele começou a abater-se ao pensar que não iria para casa tão cedo. "Eu não poderia imaginar passar 20 anos na cadeia", diz ele. "Nós fomos jogados em cubículos como os animais. Cada um daqueles dias era como um ano. "Eu tenho uma esposa e dois filhos, e não poderia 
fazer nada para cuidar deles. " 

Os líderes da GFA imediatamente se mobilizaram em seu favor. Assumiram o
cuidado dos familiares de Manja, que de repente, ficaram desamparados.  Ao mesmo tempo, eles trabalharam incansavelmente para fazer justiça, tendo levado o seu caso até a Corte Suprema do Nepal e, em seguida, para o rei. Cada vez mais eles ouviam a mesma resposta: "Não, mas tente novamente." Mas Manja não estava obcecado em voltar à liberdade. Tornava-se a cada evidente para ele que a prisão não era apenas um lugar onde ele fora detido. Era seu campo missionário. 

O que aconteceu lá dentro 

Ajoelhando e orando no banheiro, o único lugar que ele dispunha para estar sozinho, Manja encontrou forças. Ele teve a oportunidade de compartilhar o amor de Deus com os rebeldes maoístas capturados . Quando ele ficou muito doente, foi transferido para a prisão central de porta azul em Kathmandu. Como o novo residente da vizinhança mais perigosa em seu país, Manja trouxe algo para a prisão que ninguém esperava. Mesmo quando ele enfrentava grandes lutas emocionais e dor física , Manja recorreu à sua fé, algo que o outros presos não tinham. "Os detentos me questionavam:" Como pode o seu Deus permitir que isto acontecesse com você enquanto você o servia? "Manja lembra. "Eu lhes disse que, apesar de haver encontrado injustiça aqui, Deus me conhecia e conhecia a minha situação. Ele definitivamente tem um melhor amanhã para mim. " Os presos começaram a admirar a sua fé inabalável. 

"Mesmo que nós estejamos presos como criminosos", Manja lhes disse: "Deus ouve nossas orações." E Deus ouviu. Um dos colegas de cela de Manja pediu que
orassem por sua esposa, que estava doente. De dentro de suas celas, eles oraram, e logo se soube que ela tinha sido curada. 

Lentamente, o tempo de Manja com o Senhor transformou-se em pequenos encontros, de 5, depois 10, depois 15 crentes. E como a sua reputação de credibilidade cresceu, os funcionários deram-lhe responsabilidades e, com isso, a oportunidade de se aproximar dos outros detentos. "Fui designado para contar os prisioneiros em suas celas todas as noites ", diz ele. "Eu estava no comando de 150 prisioneiros. Com diferentes temperamentos e atitudes, havia muitos presos que se metiam em brigas. Mas eu mediava tudo com amor, e eles nunca levantaram um dedo contra mim. " 

Ele teve ainda a oportunidade de trabalhar na escola e no hospital da prisão . Lá, ele encontrou centenas de homens que estavam pagando o preço por seus crimes. A mensagem de amor e perdão de Jesus fez com que, na prisão, esses homens encontrassem uma absolvição que os tornou mais livres do que se  tivessem sido fisicamente libertados. 

Ao longo dos nove anos em que Manja trabalhou, milhares de homens entraram e saíram da prisão. Entre 200 e 300 deles encontraram uma nova vida em Cristo, através do impacto do testemunho de Manja. A partir daí, o impacto da obra do missionário prisioneiro se espalhou rapidamente. Quando um dos novos crentes chegou ao final de sua sentença, pediu a ele uma Bíblia, para que pudesse levá-la para sua aldeia e começar uma congregação ali.
 
Outros a quem Manja levou ao Senhor também escolheram prosseguir no ministério, assim que foram libertados. "Mesmo estando na prisão, Deus trabalhou em mim e através de mim! "alegra-se Manja. Ele também era conhecido como alguém que ouvia e ajudava os outros em muitos problemas, e foi exatamente isso que ajudou a proteger a sua vida. "Em 2006, houve uma revolta dentro da prisão", Manja lembra. Enquanto o mundo ouvia a respeito da derrubada do rei do Nepal 
e a nova democracia, os presos decidiram que as suas penas deveriam ser perdoadas. "Prisioneiros rebeldes lutavam entre si, eles vinham à noite e esmagavam as cabeças de outros presos dormindo do meu lado. " Deus protegeu seu servo, e Manja nunca foi ferido. 

Voltando para Casa

Finalmente, veio a notícia. No terceiro aniversário da nova república do Nepal, 
foi anunciado que um certo número de prisioneiros iria ser posto em liberdade. Rati, esposa de Manja, seus filhos e vários líderes e funcionários da GFA se reuniram perto da entrada familiar da prisão, perguntando se esse realmente seria o dia. Com memórias ainda vívidas da violência daquele dia, três anos antes, Manja saiu da prisão no Dia da Democracia. "Toda a dor que eu tive que passar ontem, eu esqueci hoje ", disse-lhes. 

Quase sem acreditar ainda, Rati colocou a tradicional guirlanda de flores ao redor do pescoço do marido para homenageá-lo e recebê-lo em casa. Manja abraçou seu filho, que tinha crescido e se tornado mais alto do que ele. Em casa, todos comemoravam, ansiosos por recuperar os mais de nove anos em que estiveram separados. Sua filha, que tinha dois anos quando ele foi preso, fez chá para o pai. 

Depois de tudo que aconteceu, Manja está buscando dar continuidade ao seu ministério de ambos os lados a porta da prisão. Ele quer ter certeza de que os 
crentes ainda em cativeiro não serão deixados sozinhos e pretende continuar discipulando-os da melhor forma que puder. Ele deseja também continuar a compartilhar a esperança que ele tem em Cristo, que o sustentou por tantos anos de injustiça. "Se eu tivesse perdido a esperança, a minha vida teria sido 
arruinada, "ele explica. "Não deixei que nada apagasse o fogo da esperança. " 

Fonte: Revista "Send"