A doutrina da reencarnação foi introduzida no ocidente através de organizações ocultistas como a Sociedade Teosófica e a Ordem Rosacruz, além de várias outras de menor relevância, como o kardecismo, originário da França. 

A Bíblia não trata explicitamente desta questão. As escrituras porém afirmam que no fim dos tempos, todos os homens serão julgados e que existirão apenas dois vereditos possíveis neste julgamento: a segunda morte, ou seja, o inferno, e a ressurreição para uma vida eterna. (João 5:28-29) Afirma ainda que cada pessoa morre apenas uma vez (Hebreus 9:27). Entretanto, muitos reencarnacionistas argumentam que este verso não nega a reencarnação do espírito, apenas constata a ordem natural da morte, que ocorre uma única vez durante a vida de uma pessoa. Segundo o ocultismo, o homem é dotado de duas dimensões essenciais: a personalidade, ou dimensão inferior, que desaparece após a morte física do indivíduo, e a individualidade, ou dimensão superior, que é o espírito imortal, que reencarna a cada existência.

Os reencarnacionistas citam passagens bíblicas como o célebre diálogo entre Jesus e Nicodemos, como comprobatórias da existência da reencarnação. O cristianismo porém não reconhece esta interpretação para João 3:3, que se refere na verdade ao renascimento dos salvos em Cristo e à obra regeneradora do Espírito Santo em suas vidas.

Jesus jamais ensinou a doutrina da reencarnação, mas a ressurreição (Mateus 22:23-32)
Entre os judeus, haviam aqueles que não criam na ressurrreição do corpo, conforme Salmos 88, Jó 7:9, embora Deus já houvesse anunciado a Ezequiel (37:12-14), a Isaías (26:19) e a Daniel (12:2)  que ressuscitaria os mortos. No tempo de Jesus, também os saduceus não criam na ressurreição. Quando arguído por Nicodemos sobre o “nascer de novo”, Jesus respondeu claramente que e que “se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” (João 3:5) e que “o que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6). Jesus portanto não ensinou de forma alguma que para entrar no reino de Deus é necessário re-encarnar, ou seja renascer na carne. Ao contrário, Ele ensina que é necessário um renascimento espiritual, através da “água e do Espírito”. Este renascimento espiritual, ensinam as escrituras, jamais pode ser alcançado pelo esforço próprio do homem, mas apenas pela graça de Deus, mediante a fé em Cristo.

Os reencarnacionistas  têm citado também indevidamente outros textos bíblicos, como os que envolvem as figuras de João Batista e Elias (Malaquias  4.5; Mateus 11.14; 17.10-13 e Lucas 1.15-17), como prova de que a reencarnação faz parte das doutrinas cristãs. Quando Jesus afirmou que “Elias já veio” (Mateus 17.12) e que “ele é o Elias que havia de vir” (Mateus 11.14), estava dizendo que Elias não ressuscitara como todos esperavam (mesmo porque não morrera, mas fora transladado ao céu), mas que João Batista desempenhara o papel de precursor do Messias, com a mesma coragem, virtude e espírito de Elias. Isto é uma confirmação do testemunho do evangelista, em Lucas 1:17, e tem um sentido semelhante ao de 2 Reis 2:15: “O espírito de Elias repousa sobre Eliseu”.  Esta declaração foi proferida pouco tempo depois de Elias ter sido arrebatado ao céu num redemoinho (v.11). O próprio João Batista negou ser ele a reencarnação do profeta Elias: 

“Perguntaram-lhe [a João Batista]: Então quem és? És tu Elias? Ele disse: Não sou. És tu o profeta?  Não.  Disseram-lhe pois: Quem és? para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes de ti mesmo? Eu sou a voz do que clama no deserto. Endireitai o caminho do Senhor.” (João 1.21-23). 

Outra alegação infundada dos defensores da doutrina da reencarnação, é que  ela sempre fez parte da crença cristã, desde os seus primórdios, e que foi posteriormente suprimida pela Igreja Católica. Contrariamente ao que muitos reencarnacionistas afirmam, o V Concílio Ecumênico de Constantinopla II, de 553, jamais debateu a doutrina da reencarnação. Não há em nenhuma de suas atas referência a esta doutrina. Deve ser ressaltado também que nenhum dos demais concílios doutrinários da Igreja Católica sequer registraram qualquer condenação sobre a doutrina da reencarnação, simplesmente porque ela nunca foi ponto de fé dos cristãos.

O que ocorreu em Constantinopla com relação a este assunto, é que, por volta de 543, foi promulgado um édito, por Justiniano, condenando dez princípios da doutrina de Orígenes, inclusive o da preexistência da alma. Justiniano decretou um “anátema para Orígenes... e para todos os que assim pensarem” (“The Anathematisms of the Emperor Justinian against Origen” em Nicene and Post-Nicene Fathers 2ª série, 14:320). O édito, assinado por todos os bispos, foi simplesmente ratificado pelo concílio de Constantinopla, em 553 e depois aprovado pelo papa Virgílio. O fato de haver sido tratado como matéria secundária neste concílio, denota a importância também secundária deste assunto para a própria Igreja.

Orígenes, um dos chamados Pais da Igreja, é apontado como um dos defensores da doutrina reencarnacionista, conforme escreveu em seus De Principiis: “cada alma... vem a este mundo fortificada pelas fraquezas ou vitórias da vida anterior. Seu lugar neste mundo, como um vaso escolhido para honrar ou desonrar, é determinado pelos seus méritos ou deméritos. Seu trabalho neste mundo determina a sua vida num mundo futuro”.

Entretanto, é necessário notar que Orígenes foi grandemente influenciado por uma corrente doutrinária originária dos filósofos neoplatônicos e do gnosticismo pagão. Esta corrente procurou fundir os ensinamentos cristãos com a sua doutrina, criando o que muitos chamam de cristianismo esotérico ou gnosticismo cristão. Esta corrente entretanto era minoritária, e jamais representou a doutrina dominante no cristianismo primitivo. Muitos judeus místicos também acreditavam na doutrina da reencarnação, daí a pergunta feita a João Batista: “És tu Elias?”. Do mesmo modo entretanto, esta corrente era também minoritária dentro do judaísmo e não representava a ortodoxia da religião judaica.

O próprio Orígenes nega posteriormente a idéia da reencarnação, quando discutiu com a igreja se João Batista era ou não Elias que voltara: “Aqui não me parece que por Elias se expressa a alma, ou cairei no dogma da transmigração, que é contrário à Igreja de Deus, que não foi transmitido pelos apóstolos nem é encontrado nas Escrituras”. Orígenes rejeita a reencarnação porque ela conflita com a idéia cristã do julgamento final. “Como poderia haver um fim”, pergunta ele, “se as almas estão continuamente cometendo atos que as obrigarão a retornar à terra para redimi-los?” Ele conclui que o anúncio de um Juízo Final existente nas Escrituras, deve portanto  “abolir a doutrina da transmigração”. (Commentary on Matthew 13.1, em The Ante-Nicene Fathers ) 10:474, 475.

Por séculos a fé de milhões de cristãos se baseou apenas na ressurreição e não na reencarnação. Todos os documentos antigos de escritores cristãos antes desse concílio mencionam como base de sua fé certeza da ressurreição. Esses mesmos escritores rechaçaram fortemente a idéia da reencarnação, doutrina que é simplesmente alheia à fé cristã, originária de filosofias pagãs egípcias, babilônicas e hindus. 

Existe entretanto um conflito essencial entre as doutrinas orientais e ocidentais quanto à reencarnação. Enquanto aquelas afirmam que a individualidade é impermanente, sendo absorvida pelo Eu Superior, as doutrinas espíritas afirmam que a individualidade é preservada e permanece ao longo de múltiplas vidas.

A Bíblia afirma claramente que “vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão:os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.” (João 5:28:29) A ressurreição dos mortos é uma verdade bíblica e segundo ela, todos aqueles que “dormem” espiritualmente, ressuscitarão um dia na forma de um corpo semelhante físico. Entretanto, este corpo físico não é, como muitos supõem, feito da mesma matéria carnal que um dia existiu no mundo, mas de uma matéria mais sutil,  incorruptível e imortal, conforme demonstra Jesus ressuscitado e conforme ensina o apóstolo Paulo.(1 Coríntios 13:53-54)

O problema das doutrinas reencarnacionistas é que elas incorrem em um equívoco conceitual básico, ao confundir evolução e iluminação espiritual com salvação. Segundo estas doutrinas, o indivíduo se liberta do ciclo das múltiplas vidas unicamente por seu próprio esforço, através de disciplinas espirituais diversas. Entretanto, ainda que tal evolução existisse, ela não poderia garantir a salvação espiritual, no sentido de restabelecimento da comunhão original do homem com Deus. O espírito pode evoluir espiritualmente, mas jamais poderá por seu próprio esforço se unir a Deus, se não for pela vontade de Deus, pois Ele conhece seus verdadeiros filhos e a eles elegeu, desde o princípio dos tempos para a salvação.

O erro fatal das doutrinas reencarnacionistas é que, embora reconheçam a queda espiritual do homem e a separação entre o homem e Deus que ocorreu em decorrência dela, rejeitam a noção de pecado. Rejeitam também o fato de que por causa do pecado, todos os homens estavam condenados à morte, não fosse o sacrifício vicário de Jesus, ao derramar seu sangue justificador perante Deus, por todos os homens. A salvação é em essência uma prerrogativa concedida pela Graça e pelo amor de Deus aos homens. Enganam-se portanto aqueles que julgam que o caminho do conhecimento e da disciplina espiritual, que conduz aos mais elevados estados de consciência possíveis ao homem, é o mesmo que conduz à sua salvação espiritual.

O resultado da realização espiritual, buscada através das doutrinas orientais, é na verdade um estado altamente sofisticado da consciência, sintetizado no conceito do Eu Superior, no qual o indivíduo tem uma sensação temporária de absoluta comunhão com o todo. Este entretanto não é o verdadeiro caminho da salvação e ao invés de aproximar o seu seguidor de Deus, o afasta ainda mais de sua comunhão.

São portanto caminhos bastante diversos. A salvação é concedida aos que trilham o caminho inverso, ou seja, o da contrição, o da humildade intelectual e o da plena rendição à vontade de Deus. Alcançam a salvação não aqueles que julgam poderem salvar a si mesmos, mas aqueles que se colocam nas mãos amorosas e poderosas de Deus para serem espiritualmente justificados, regenerados e santificados pelo poder do seu Espírito.

Isto não significa entretanto que o indivíduo não tem nenhuma participação na conquista de sua salvação, pois os que são salvos em Cristo recebem por ele um dom, o do renascimento  pela água e pelo Espírito, e são transformados, por esse dom, em novas criaturas. A sua santificação porém não é uma decorrência natural deste renascimento, mas deve ser buscada a cada dia, através da obediência à vontade de Deus. Se antes esta obediência era impossível à carne, agora ela é possível pois habita naquele que é salvo o Espírito Santo de Deus. É unicamente através da ação deste Espírito de Deus que o indivíduo pode vencer a corrupção e as deficiências de sua própria natureza e ser santificado.

Além disso, embora as Escrituras ensinem por um lado que não são nossas boas obras que nos salvam, mas a graça de Deus, através da fé; por outro lado também ensina que esta mesma graça nos dignifica e nos constrange a fazer as boas obras, para as quais fomos salvos. Como a árvore se conhece por seus frutos, estas obras são portanto a única evidência exterior de salvação espiritual. Nem todos os que produzem boas obras são salvos, mas todo aquele que é salvo produz bons frutos; “um a cem, outro a sessenta e outro a trinta por um.” (Mateus 13:8)

O espírito do cristão evolui assim, através da obra santificadora de Deus e cresce em conhecimento, em santidade, em amor, em justiça e em comunhão com Deus; por obra e graça do próprio Deus, que a seus amados revela a Verdade e concede a plenitude do gozo desta comunhão, que flui incessantemente do seu infinito amor. A grande diferença entre a idéia de evolução espiritual das doutrinas reencarnacionistas e o processo de restauração espiritual pregado pelo cristianismo, é que as religiões orientais crêem que esta evolução se dá através de um processo natural  operado pelo próprio indivíduo, enquanto que Cristo ensina que o crescimento espiritual é um processo totalmente sobrenatural e revolucionário, operado unicamente pelo poder de Deus.

Para o cristão entretanto, a discussão sobre reencarnação não tem a importância crucial que lhe é dada pelas doutrinas espiritualistas, pois uma vez que a Bíblia traz os ensinamentos essenciais para a redenção espiritual humana e não aborda este explicitamente o assunto, pode-se concluir que ou se trata de uma falsa doutrina ou de um conhecimento sem importância para nossa real condição espiritual. Isto é válido também para inumeráveis outros assuntos normalmente presentes nos imensos tratados espiritualistas pagãos.

Os defensores da doutrina da reencarnação presumem poder julgar a própria justiça divina e afirmam ser mais justa esta concepção do processo de evolução espiritual humana, em relação à concepção cristã de que vivemos apenas uma única vida. Este julgamento porém se baseia apenas na visão humanista de justiça e não na palavra de Deus. Muitos fatos que nos parecem injustos e que aparentemente somente poderiam ser explicados pela doutrina da reencarnação, como a morte de crianças e as deformações biológicas congênitas, são perfeitamente explicáveis pelo cristianismo.

A condição degenerada da natureza humana, causada pelo pecado, é a única causa destas aberrações e fatalidades, que surgem da mesma forma como nascem as pessoas de caráter maléfico e aquelas que não amam a Deus. Deus não é menos justo por tolerar esta condição da natureza humana pois ofereceu ao homem, desde o princípio dos tempos, a oportunidade de se regenerar e amou o mundo de tal maneira a oferecer o seu próprio filho como sacrifício vivo para esta redenção. Jesus afirmou que chegará o dia, no fim dos tempos, da separação do joio e do trigo, quando então o mundo será inteiramente restaurado e todo o mal extirpado definitivamente.

Fundamentar a vida espiritual na doutrina da reencarnação, cuja origem remonta às antigas religiões e filosofias que negam a existência de Deus, é para muitos na verdade uma justificativa para sua acomodação existencial, para a sua indolência espiritual, para uma recusa tácita em se render perante a soberania divina e para não lutar por sua santificação. Confiantes em que terão uma nova chance em uma outra existência, não se dão conta  de que está próximo o advento do Senhor Jesus, e que Ele os encontrará espiritualmente nus e despreparados para o Reino de Deus.